FOZ TO FOZ

 

 

Nos juntamos em Foz do Iguaçu um dia antes, já que éramos de outras cidades e até país para organizar nossas bolsas e bicicletas: cinco fixas, uma single speed e uma gravel. Partimos um pouco tarde, atravessando a Ponte da Amizade em direção a Assunção com o sol castigando e muito vento. Esse foi o clima de toda a viagem, sem uma gota de chuva.

 

 

Demoramos três dias para completar essa primeira etapa com uma boa altimetria e dormimos em duas igrejas em pequenas cidades na beira da estrada, assim conseguíamos um bom teto para usar nossos sacos de dormir e isolantes e fogareiro pra passar o café ou a janta, além de um banho gelado. Na segunda delas, tinha uma escola ao lado, então, logo cedo, havia muitas crianças querendo conversar e saber o que estávamos fazendo por ali, e, na sequência, partimos pra movimentada capital, onde descansamos e dormimos muito bem.

 

 

Bem alimentados e organizados, seguimos rumo ao sentido sul do Paraguay, costeando o rio Paraguai. Depois de alguns quilômetros de alto fluxo de carros e caminhões saindo da cidade, entramos numa rota tranquila, mas com o asfalto muito ruim no começo, onde ainda havia um pequeno fluxo de caminhões da área industrial, mas depois chegamos a um asfalto novo.

 

 

Ficou perfeito para pedalarmos por muito tempo, até que, faltando 25km para a cidade de Alberdi, o asfalto acabou, pois estava em fase de construção. No lugar dela, uma estrada de chão com maquinários e muito esburacada, pois alguma patrola de rolo dentado deixou tudo esburacado. Foi o pior trecho da viagem. A ideia era só passar por Alberdi e pegar a balsa para Formosa, do lado argentino, mas acabou que a balsa já tinha fechado, então fomos procurar abrigo na igreja da cidade. Lá encontramos o padre Cesar, que é brasileiro, anda de bicicleta por tudo, nos recebeu muito bem e nos ajudou na travessia no dia seguinte, sempre com bom humor e falando coisas que, pelo fato dele ser padre, ficavam muito mais engraçadas.

 

 

Passada a balsa e vendo a diferença estrutural/econômica do outro lado, tomamos outro café reforçado e logo saímos de Formosa, onde a estrada era mais monótona, com retas infinitas e poucos lugares para parar na estrada e beber alguma coisa e praticamente sem acostamento, o que dificultou um pouco. Foram dois dias inteiros assim pela rota 11. Certa hora, resolvemos pegar um atalho e caímos numa viela de chão batido com uma pilha de ossos de bois, urubus, um porco gigante, muito lixo e pequenos barracos até que pegamos o atalho do atalho e voltamos pra estrada, a rota 16, até chegarmos em Corrientes, que tem uma praia no rio Paraná com uma ponte gigante na entrada da cidade. Ainda deu tempo de dar uma boa caminhada pelo centro e pelo parque da cidade.

 

 

A partir disso, começamos a repensar o trajeto que não estava tão atraente e voltamos pro lado paraguaio, na represa Yacyreta. Ficamos na dúvida se era permitido passar, mas jogamos pra sorte decidir o que aconteceria na hora: fomos barrados. Apenas carros podem passar. Nem mesmo motos, pedestres, caminhões ou ciclistas. Conseguimos uma carona numa camioneta de um funcionário e colocamos as bicicletas na parte de trás e nos apertamos (não sei como) dentro do carro enquanto o amigo nos falava da história da represa e do sistema de um navio passar de um lado para o outro dela. Fomos costeando o rio Paraná até a cidade de Encarnación. A estrada ruim, com muitos buracos e alguns metros abaixo do nível do rio enquanto tinha uma pista nova bem na beira, mas que não era permitido trafegar. Em algum ponto da estrada, subimos o barranco pra admirar a vista e descansar, curtindo a imensidão da água.

 

 

Já em direção ao norte, passamos por outra balsa em Bella Vista pro lado argentino, andando pela rota 12 e depois pela rota 14. Aqui a estrada voltou a ter grandes subidas e descidas, e a paisagem da vegetação, bem agradável. Passamos uma noite em Jardim América numa igreja com um padre polonês que cuidava há quinze anos da paróquia da cidade. Depois de um bom desjejum e risadas com os ovos desenhados com canetinha enquanto arrumávamos a cozinha, seguimos até chegarmos na cidade de San Vicent, comemos e acabamos no centro, onde estava rolando a festa de aniversário da cidade com apresentações de música tradicionalistas, cheio de gaita e violão. Nisso um senhor foi conversar conosco sobre as bicicletas, falamos sobre a viagem, e ele nos ajudou a conseguir autorização para dormirmos no centro esportivo da cidade.

 

 

Durante o percurso todo, foram seis igrejas, uma escola que estava terminando de construir e esse ginásio, além dos hostels, que pagamos para nos organizarmos melhor. No outro dia, como de costume, acordamos cedo, passamos o café e seguimos em direção a Dionísio Cerqueira no Brasil. A ideia era aumentar um pouco o percurso da viagem, almoçarmos um buffet livre e voltar pro lado argentino. Pegamos mais uns pedaços de estrada de chão no caminho, muito sol como sempre e poucos pontos de parada na estrada, mas com uma boa paisagem.

 

 

Depois de 30km por aqui, voltamos de barriga muito cheia pro lado hermano pela cidade de Santo Antônio e pedalamos em direção a Foz para completarmos o ciclo. Com uma estrada muito boa e um pouco de serra, chegamos a Cabure, que é um pequeno vilarejo, e fizemos uma janta na lenha.

 

 

Acordamos cedo já falando que faltava pouco para acabar, mas antes entramos na parte do Parque Nacional Iguaçu. Chão batido com muitas pedras e barro seco, já que não chovia há semanas na região, e vegetação fechada. Demoramos a manhã toda para atravessar, alguns pneus furados, água acabando e sem ter onde repor, mas motivados por ser a reta final.

 

 

Ainda tentamos um atalho clandestino, passando por dentro da área das cataratas, mas tantos ciclistas de bretelle e capacete surgindo da floresta chamou um pouco a atenção dos guardas. No finalzinho ainda tivemos um bom pedaço de asfalto com fluxo de carros já mirando a fronteira. Passamos pela alfândega rapidamente e conseguimos arranjar uma boa confusão por conta das bicicletas no “Duty Free Shop” antes de atravessarmos a ponte e comemorar em um bom buffet livre no centro de Foz do Iguaçu e explorar a cidade depois de duas semanas comendo o que tinha pela frente na estrada ou usando o guerreiro fogareiro.

 

 

DADOS E GPS AQUI

 

Participaram dessa aventura: @gianfranco.vacani , @ruivo138 , @bruunolouurenco , @freitasfreitasfreitasfreitas, @zweiradkunst, @akiooika e @jeanmichelf

 

 

Fotografias: Bruno Lourenço e Gian Franco

 

 

 

 

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