MANTIQUEIRA TRAILS 2019

“Chegar nas montanhas da Mantiqueira pedalando desde São Paulo foi, para mim, o auge da viagem. Pedalar 500 km depois disso, seria fácil… ”

 

 

A rota já estava desenhada há algum tempo. Em sua grande maioria era composta por estradas de terra, evitando rodovias e asfalto. Era uma idéia antiga que aos poucos foi tomando forma… Juntar tudo e fechar 500km entre São Paulo e Mantiqueira. A parte mais difícil foi conseguir um tempo da cidade grande e colocar tudo em prática.

Saímos pedalando de São Paulo com bicicletas carregadas, eu (Léo) , Guilherme e Iaconis em direção ao Sul de Minas. Seguimos pelas cidades de Mairiporã, Nazaré Paulista, Joanópolis, até chegar em São Bento do Sapucaí. 

 

 

Foram 4 dias para cruzar as divisas dos estados e com toda certeza aprendemos muito sobre não subestimar as estradas. Sair de São Paulo foi mais difícil do que imaginávamos. Teve de tudo um pouco…Teve ribanceiras, dormimos em um posto de gasolina, em uma cabana macabra no meio da mata, avistamos um tamanduá amigo, tivemos uma roda quebrada a troco de uma coca bem gelada e subimos muito, até na rabeira de um caminhão, rs.

 

 

“Viajar de bicicleta nos faz encarar o desconhecido de frente. Podemos planejar tudo, pesquisar sobre os locais…mas ainda sim estaremos sujeito ao inesperado.”

 

 

Por diversas vezes mudamos a rota. Havíamos programado ir ao Parque Nacional do Itatiaia, acampar na base do Pico dos Marins, fazer alguns ataques de montanha…mas a Mantiqueira faz de cada subida e de cada curva, novos horizontes e caminhos diferentes.

Em uma dessas mudanças acabamos chegando à Monte Verde. Alí, dormirmos na humilde e desajeitada casa de um desconhecido, que nos abrigou em sua sala para nos proteger do frio. Também encaramos um caminho alternativo que aparentemente cortaria 40 km até o próximo destino. E quando demos por conta, estávamos empurrando a bike para 1.900 metros no Pico da Onça em São Francisco Xavier.

 

 

As subidas eram fortes durante toda a rota. Subidas de fazer parar e pensar seriamente sobre continuar. Dias de refletir sobre o que você está fazendo ali, sobre esse fascínio por bicicletas, montanhas e essa sensação de liberdade que ambos causam…

Pegamos a descida do campista entre São Bento do Sapucaí e Campos do Jordão. Um drop incrível que pede muita atenção nas curvas e então adentramos a uma mata para montar acampamento antes de escurecer.

 

 

Haviam bons lugares no mapa. Aparentemente em terrenos descampados, mas com gramas bem altas e o solo bem irregular. Optamos por um abrigo de madeireiros que encontramos pelo caminho. Um lugar meio macabro, com um boneco segurando uma garrafa de 51 vazia…uma espécie de guardião da floresta tomando conta do cenário. Eu particularmente prefiro lugares abertos, mas essa seria a melhor opção por quilômetros.

 

 

Passamos direto do Parque Nacional do Itatiaia em Itamonte, montando acampamento no começo da Serra do Papagaio. Foram 20 km de subida e com algumas surpresas. Já estávamos na metade da Serra quando o Gui perdeu sua roda dianteira tentando pular um topo de areia. Nessas horas é preciso parar e pensar para não tomar uma decisão errada. Ele conseguiu uma carona, voltou à cidade, trocou a roda e ainda nos alcançou antes de escurecer dentro do Parque Nacional da Serra do Papagaio. O cara foi BRUTO na subida!

 

 

 

A travessia do Parque é uma das partes mais bonitas do caminho e existem muitos pontos de acampamento até a cachoeira de Juju. Não é 100% pedalável, foi necessário empurrar uma bicicleta por bons trechos, mas que valeu muito a pena.

 

 

 

Fechamos a conta com 550 km rodados na cidade de Caxambú. Eu e o Iaconis tomamos o ônibus de volta para São Paulo e o Gui ainda continuou no dia seguinte por mais 70 km aproximadamente até São Thomé das Letras.

 

 

GPS AQUI

RESUMO

11 dias

Alt 1.800m

550km

 

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